Certo dia, almas amigas
se reuniram lá no Espaço.
Após demorado abraço,
falaram, dando-se as mãos:
“Devemos por fim às brigas,
em nome dessa doutrina
de origem pura e Divina
que é o Cristianismo, irmãos!
Preciso é que reencarnemos
nesse planeta sombrio.
Que combatamos seu frio
com o nosso próprio calor.
Que nos identifiquemos,
quando a tais lides chegarmos
e ai nos reencontrarmos,
com um só documento: amor!”
Houve explosão de carinhos,
mil lagrimas de alegria,
quais pétalas de energia,
sentidas por toda parte,
como rosas sem espinhos,
invisíveis para nós,
como a palavra sem voz,
falada em obras de arte.
Quais aves em migração,
transpuseram densas trevas,
iluminando, quais “Devas”,
as zonas tristes do “Umbral”.
Com muito amor e perdão
vararam faixas sombrias,
deletérias energias
dos charcos do “baixo astral.”
Enfim, à Terra chegaram,
sem aparatos externos,
mas, co sentimentos ternos,
muitos deles reprimidos.
Graças a Deus, se encontraram,
como Espíritas, pregando
a Lei do Amor e aliviando
muitos corações sofridos.
Aqueles seres, enfim,
vendo ali também intrigas,
acabaram com tais brigas
com seus abraços fraternos.
Estão atingindo o fim
que os fez reencarnar,
ou seja, exemplificar
ensinamentos eternos.
Somente o amor dinamiza
forças Divinas e faz.
Pra divulgarmos a paz,
não basta nos reunirmos.
Uma reunião precisa,
para ter bom rendimento,
todos num só pensamento,
para tal meta atingirmos.
O amor que nos une agora,
com raízes no passado,
precisa ser divulgado,
coração a coração,
para que o mundo lá fora,
veja o Cristianismo em nós
e, à nossa, junte sua voz,
cantando a mesma canção.
Num poço estamos iguais.
Não existe nada mais
útil que eu possa fazer,
que subir por corda certa,
descobrir a tampa aberta
e mostrar a quem quer ver.
Não, não busque apoio em mim!
Mas segure-se, isto sim,
numa corda a nós ligada!
Só com próprio sacrifício,
você sai do precipício
pra prosseguir caminhada.
Estou firme em minha corda.
Breve chegarei à borda,
donde a vida é verdadeira.
Firme-se na sua, amigo!
Pois a minha só comigo
Permanece intacta, inteira.
Em si mesmo você esconde
a corda que corresponde
a própria força que tem
para nela imprimir
e deste poço sair.
Só você e mais ninguém.
Por isso, firme-se bem!
Pois na vida a gente tem
que aprender uma lição:
jamais esperar ser salvo,
pois assim só será alvo
de triste desilusão.
E não se iluda pensando
Que alguém o acompanhando
O isenta do perigo!
É necessário medir
os conselhos que hão de vir,
para ver se são de amigo.
Descubra toda a verdade
do que diz a intimidade,
analisando o efeito,
mas, antes de entrar em cena,
para ver se vale a pena
o que ela disse, ser feito.
De que tipo de mulher,
senhores, quereis que eu fale?
Da que bem sabe o que quer,
ou dessa quereis que eu cale?
Daquela que submissa,
vem da costela de Adão,
ou da que pela justiça,
promove revolução?
Quereis que eu fale das fúteis,
pobres “cabeças de vento”,
ou daquelas que são úteis,
em cada ato ou pensamento?
Há mil mulheres que atraem
e outras que são atraídas,
sem contar com as que traem
e aquelas que são traídas.
Há mulheres co-criadoras,
que parem e sabem educar,
e há as que são só procriadoras,
mas, incapazes de amar.
De todas, a mais sublime,
é a que educa filho alheio
e nele seu amor imprime,
sem preconceito ou receio.
Sinceramente não sei
de qual delas vou falar,
pois no meu peito guardei
todas elas para amar.
Mulher: É pro homem alma gêmea.
Tudo o que ele busca e quer.
Num corpo de macho ou fêmea,
sempre habita uma mulher.
Mulher que nos faz sorrir,
sorrindo nos faz sonhar,
sonhando nos faz sentir
o doce prazer de amar.
Às vezes penso, reflito...
O mundo, como seria?
Com Jesus ele é infinito,
Porém, nada sem Maria!
Ecoa na amplidão do espaço e segue
repercutindo no nosso planeta,
qual um retumbante som de uma trombeta,
pra nós a terceira revelação.
Quem mesmo ouvindo quer negar, que negue!
A luz do Sol não deixa de brilhar
só porque alguém insiste em rejeitar
o benefício da iluminação.
Esse perfeito acorde perder-se-ia
na imensidão do Cosmo, inexplorado,
não fosse um dia o "Bom Senso Encarnado"
lançar na pauta tão linda canção
e nos presentear tal harmonia,
que é o "Pentateuco Espírita" esta luz,
que no sincero estudante produz
o fenômeno da transformação.
Estas cinco obras, gotas cristalinas,
condensações do Divino vapor,
se encontram um coração puro, qual flor,
conservam sua pureza celestial;
refletem com clareza a luz Divina.
mas, no impuro, são gotas lamacentas,
que ainda transformam estradas poeirentas
em fétido mas, fértil lodaçal.
Sorvamos gota a gota deste orvalho!
Deixemos que ele, penetrando em nós,
nos fertilize, pra que nossa voz
seja mais eloqüente por estar
calcada no exemplo e no trabalho
em prol da humanidade sofredora,
que busca em nós a ação consoladora
que só no Espiritismo pode achar.
Toda mão que pratica a caridade
é, realmente, mais divulgadora
dessa Divina ação consoladora
do que a palavra que empolga quem escuta.
Pois uma é a vivência da verdade,
enquanto a outra é um som que se esvanece
naquele que ouve e que com o tempo esquece,
de vez que a voz não reflete a conduta.
Avante, irmãos! Vamos construir agora
esse futuro de há muito esperado,
por tantos antes já profetizado!
Porvir de amor, felicidade e paz.
A noite foi, contemplemos a aurora
da consciência livre a se expressar:
A concordar, discordar, opinar...
como somente a mente livre faz!
Oh! Servos da "Seara do Senhor!"
Cento e cinqüenta anos são passados!
Vede! Os canteiros já estão preparados,
cabendo a voz apenas semear!
Mas, semear com carinho e amor,
estas cinco obras, sementes Divinas,
que juntas são a essência das doutrinas
capazes de ao Criador nos religar.
Minha missão: desmascarar Jesus.
Esse que, dizem que morreu na cruz
por vivenciar a tola Lei de Amor.
Nego-me a crer que um reles carpinteiro,
possa empolgar assim o mundo inteiro,
com uma mensagem fútil, sem valor!
Pra desmenti-lo estudei a astronomia.
Mas, quantos mais corpos celestes via,
na imensidão universal sem par,
mais me sentia um verme me arrastando
no grão de areia que é a Terra e tentando
o macrocosmo inteiro dominar.
... E o ambiente do observatório,
guardava uma quietude de oratório.
... E eu escutava, em plena solidão,
dentro em minh’alma uma voz a falar:
“O céu e a terra, um dia, hão de passar,
mas minhas palavras não passarão”.
Chega! Larguei a imensidão do Espaço!
Passei a dar à vida novo passo,
tamanha era a revolta que sentia!
Será que aquele rabi Galileu
tinha mais sabedoria que eu?
Só de pensar minh’alma estremecia!
Passei a estudar a biologia,
a química e a física. A energia,
agora radiante, revelava
a minha miopia espiritual.
Diante de um fato tão fenomenal,
eu, impotente, somente observava.
... E o ambiente do laboratório,
guardava uma quietude de oratório.
... E eu escutava, em plena solidão,
dentro em minh’alma uma voz a falar:
“O céu e a terra um dia hão de passar,
mas, minhas palavras não passarão”.
Com toda a minha vã sabedoria,
a morte veio me buscar, um dia.
Me vi, com toda a ciência, incapaz
de compreender o enigma da vida.
Nessa interessante desconhecida,
De tudo desfrutei, menos da paz.
A verdadeira vida, a que eu negava,
Agora, para mim se apresentava
Tão clara e tão indubitavelmente,
Que a voz em mim, voltou a me dizer:
“Tu compreendeste? É preciso morrer,
pra que se possa nascer novamente.
O amor é eterno e aguarda o despertar
do ser amado, para o desfrutar
a paz da humildade e mansidão.
Compreenderás com o reencarnar,
Que o céu e a terra um dia hão de passar,
Mas, minhas palavras não passarão”.
Hoje agradeço a Deus a caridade:
Cada existência é uma oportunidade
que Ele nos dá de aprender a lição.
Neguei Jesus e hoje venho afirmar
Que o céu e a terra um dia hão de passar,
Mas suas palavras não passarão!
Teus olhos me fazem ver
toda a luz que há no teu ser,
pois, através deles vejo
a tua tristeza, alegria,
a tua dor, a tua agonia,
nesse mundo de desejo.
Teus olhos me dizem cousas
que tu, menina, não ousas
revelar para ninguém!
Jamais, guardes em ti mágoa!
Porque, cada gora d’água,
Mostra-me tudo o que tens.
Quando tentas esconder,
em espírito sofrer,
nos teus dois olhinhos leio,
algo confuso, agitado,
nervoso, desesperado,
chamado angustia, anseio...
Nos teus olhos descobri
que o que sentes já senti,
ou então, ainda sentirei.
Quem sabe, pelas desgraças,
pelas venturas que passas,
já passei ou passarei!
Nós somos pólos opostos.
Se nos ligarmos, aposto,
que alguma luz não se faça!
Se o que sabes e não sei
me ensinares, saberei.
Só assim viver tem graça!
Se o que sei guardo comigo
e o que tu sabes, contigo,
entre nós dois nada existe.
Tal como em contos reais,
nós seremos um a mais
que há de ter um fim tão triste.
Mas, se olhares os teus olhos,
com o mesmo amor que olho
meus olhos, nos olhos teus,
reduziremos os pesos
que mantêm retidos, presos
teus sentimentos e os meus.
Não seja tola, menina!
E procure compreender,
pois, a justiça Divina,
deixando você sofrer,
ao mesmo tempo lhe ensina,
como é sublime viver!
Não se iluda! É meninice,
querer ao mundo gritar
a sua dor, pois, é tolice!
Quem mais pode lhe ajudar,
diz o que um dia eu lhe disse,
quando podia falar.
Quase sempre os sofrimentos,
que os outros jamais entendem,
a nós fornecem momentos
em que os laços se desprendem
e então os nossos pensamentos,
em tais momentos, transcendem.
Nosso problema, em verdade,
é sempre proporcional
á nossa capacidade
de resolve-lo e igual
á nossa necessidade
de lutarmos contra o mal.
Ás vezes, o travesseiro,
que abraçamos ora chorar,
nos serve de medianeiro,
que poderá nos levar
ao amigo verdadeiro
que pode nos ajudar.
A nossa felicidade
guarda a mesma proporção
do ato de caridade
que fazemos a um irmão
que passa necessidade
de luz, de amor, de pão...
Oh! Menina! Não se esqueça!
Quando estiver em aflição,
procure esfriar a cabeça,
relaxe e, de coração,
peça a Deus que eu a esclareça,
pois sou seu anjo guardião!