Do ser mais abjetos da natureza à criatura mais santa, todos temos no nosso inconsciente mais profundo a identidade perfeita com o Criador do Universo; daí porque Sócrates disse: “Homem, conhece-te a ti mesmo!” e Jesus afirmou: “Vós sois a luz do mundo!”
Se o poeta, preso ao corpo de carne, não se acomodar à condição de apenas receber dos poetas livres e transmitir, mecanicamente, para o papel a mensagem sublime; se mergulhar nas profundezas da sua mente, com certeza descobrirá a luz total e nos dirá:
Eu não sou o corpo físico que veste
o perispírito que me reveste.
Sou um filamento, sempre incandescente.
Pois ao reter a energia Divina,
nosso criador de há muito ilumina
e assim fará pra sempre... eternamente...
Eu não sou a luz que neste instante emito
tampouco aquilo que ao mundo transmito.
Eu sou o que sou aos olhos do Meu Pai.
Sou uma criatura que não faz, não cria,
pois, em verdade, transforma a energia
desse Criador, que através dele vai.
Não sou nem mesmo o que penso que sou,
e sim, aquilo que Deus Pai pensou,
ao por sua Lei na minha consciência
e me ordenar crescer, multiplicar,
me burilando em cada reencarnar,
sempre evolvendo em amor como em ciência.
E neste atual estagio evolutivo,
sinto-me bem mais lúcido, mais vivo,
emancipado como estou agora.
Na lucidez eu vejo a claridade
da branca luz do amor e da verdade,
que eu jamais vi, quando em vigília, outrora.
Ainda não é este o meu objetivo;
e sim, sentir, em verdade, bem vivo,
onde estiver, diretamente, atuando.
Seja em vigília, seja emancipado,
quero entender a luz do iluminado,
que neste instante está me iluminando.
Quero viver tudo o que sei que devo,
em cada verso de amor que hoje escrevo,
para que o exemplo seja o corolário
de todo esforço de elucidação
para mais rápida evolução.
Da manjedoura quero ir ao calvário.
Sei que somente depois desse passo,
eu serei livre, na Terra ou no Espaço,
pra do calvário ganhar o infinito,
com lucidez, sem que uma sombra escura,
tisne de magoa a sublime brancura,
da compreensão a um ingrato em conflito.
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