Eu sou um semeador. Tenho nas minhas mãos
e um solo infértil e pobre em forma de deserto.
O adubo que disponho são minhas sementes
que ao caírem na areia morrem simplesmente
alimentando as outras que virão, por certo.
Todos os dias rogo ao Bom Deus pra chover,
pois cada sementinha que vejo morrer,
é como se morresse algo cá dentro em mim.
E a voz do Criador, A que minh’alma escuta,
repete como um mantra: – “prossegue a labuta!
Estás a construír meu futuro jardim.
Nenhum dos grãos que estás na terra a semear,
Tu terás o prazer de vê-lo germinar,
Pois teu trabalho, amigo, é o de semeador.
A chuva só virá quando for concluída
Toda a semeadura que fizeste em vida.
E em vida não verás nascer nenhuma flor.
Porém, quando te fores e aqui retornares,
no solo outrora infértil, tudo que plantarem
tu verás germinar pois serás jardineiro.
Não mais semeador que só joga semente.
Cada grão que plantares será qual nascente
que brota, multiplica e irriga o campo inteiro.
ATerra foi um dia bola incandescente.
Mais tarde evoluiu foi deserto inclemente.
Só depois do trabalho do semeador
foi que passou a ser toda essa maravilha,
qual pedra preciosa que, se agora brilha,
deve ao bom lapidário e a todo o seu labor.
Por isso amigo, não esmoreças jamais!
Pois toda a recompensa há de chegar. Por mais
que pareçam palavras de consolação.
Quem planta colhe tudo o que um dia plantou.
Porém, não é no tempo que se imaginou,
mas naquele que foge ao teu controle, irmão!
O amor com que tu lanças todas as sementes
E a dor dilacerante que em teu peito sentes,
de vê-las perecer sem mesmo germinar,
serão as ferramentas que utilizarás
Pra construír pra ti um futuro de paz
quando o teu tempo de jardineiro chegar.”
Ary 10/04/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário